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terça-feira, 25 de maio de 2010

Educação Orquestrada e Crescimento Silvestre

Pessoal esse texto é muito interessante para nós pais, dêem uma olhadinha...

Educação Orquestrada e Crescimento Silvestre
Por Içami Tiba
Nossos filhos carregam os nossos sonhos. Todos os cuidados com eles devem ser orquestrados para que no futuro sejam felizes e tenham sucesso. A esses cuidados chamo de Educação Orquestrada. Seu oposto é o filho largado à própria sorte, sem garantias futuras, o crescimento silvestre.

Os leitores podem encontram nos livros de minha autoria mais detalhes sobre a educação orquestrada, principalmente no Família de Alta Performance: Conceitos Contemporâneos na Educação. Hoje quero lhes passar sobre crescimento silvestre na primeira infância.

Pelo site www.primeirainfancia.org.br/, no artigo "Breve Panorama sobre a Primeira Infância no Brasil" (2007), de autoria de Gabriela Azevedo de Aguiar, Gary Barker , Marcos Nascimento e Márcio Segundo, constam: “É até os 6 anos de idade que as estruturas físicas e intelectuais de crescimento e aprendizagem emergem e começam a estabelecer suas fundações para o resto da vida da pessoa”; “...os primeiros três anos de vida são fundamentais para que a criança tenha uma vida saudável e possa se desenvolver plenamente.”; “... as crianças necessitam de cuidados específicos como: proteção; alimentação adequada; medidas de saúde (como imunizações e higiene), estimulação sensorial e sentirem-se amadas pelos pais e/ou cuidadores ativos. Até os 3 anos de idade, as crianças adquirem habilidades motoras, cognitivas, linguagem e aprendem a ter auto-controle e independência por meio da experimentação e brincadeiras...” e “...mais da metade do potencial intelectual infantil já está estabelecido aos 4 anos de idade.

Porém, as experiências de crescimento e desenvolvimento das crianças na primeira infância variam de acordo com suas características individuais, gênero, condições de vida, organização familiar, cuidados proporcionados e sistemas educacionais (UNICEF, 2005).”

Meu foco neste artigo são as causas dos acidentes e mortes dos filhos nesta primeira infância. São do IBGE e do Ministério de Saúde por meio do Sistema de Informações sobre mortalidade (SIM/MS) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) os dados:
Causas de Morte
• até 1 ano de idade:
1. Sufocação;
2. Queda;
3. Passageiro de veículo;
4. Afogamento;
5. Queimaduras com fogo;
6. Choque elétrico;
• de 1 a 4 anos de idade:
1. Afogamento;
2. Atropelamento;
3. Sufocação;
4. Passageiro de veículo;
5. Queda;
6. Queimadura com fogo;

Hospitalizações
• até 1 ano de idade
1. Queda;
2. Queimadura com líquidos quentes e outras fontes de calor;
3. Choque elétrico;
4. Atropelamento;
5. Envenenamento, medicamento, pesticida e outros;
6. Queimaduras com fogo;
• de 1 a 4 anos de idade
1. Queda
2. Queimaduras com líquidos quentes e outras fontes de calor
3. Choque elétrico
4. Atropelamento
5. Envenenamento, medicamento, pesticida e outros
6. Queimaduras com fogo.

Uma educação orquestrada dificulta o surgimento dos eventos acima citados, enquanto o crescimento silvestre favorece.
Crianças na primeira infância necessitam e dependem de cuidados de adultos que as amem, provejam, protejam, alimentem, eduquem, banhem, acariciem, abracem, conversem e brinquem com elas e velem seus sonos, pois elas são incapazes de cuidarem de si mesmas. Todas estas ações estão presentes na educação orquestrada.

São várias as condições para que as crianças sejam soltas à própria sorte num crescimento silvestre. Elas terão menos condições de serem felizes e de atraírem sucessos. Quando os pais deixam de atender às necessidades dos filhos estão sendo negligentes e quando agridem, abandonam, ficam indiferentes às suas carências, estão provocando mal tratos.

O indesejável crescimento silvestre é provocado por várias condições facilmente detectáveis pelos resultados – acidentes e mortes - apresentados acima. Basta em cada item imaginar as situações que provocaram tais eventos. Onde estava o adulto cuidador em cada item citado?

Existem características comuns aos pais que provocam o crescimento silvestre dos seus filhos: são ausentes, egoístas, destemperados emocionais, usuários de bebidas e/ou drogas, negligentes, irresponsáveis, hedonistas, desregrados, contraventores, personalidades psicopáticas, doentes psiquiátricos, neuróticos graves, sérios distúrbios comportamentais etc. Raramente estas características aparecem como sintomas únicos, mas sim com algumas simultaneidades entre elas.

Içami Tiba
Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 26 livros.
Site: www.tiba.com.br

2 comentários:

  1. Cris,

    Içami sempre surpreende! Gostei da relação educação orquestrada x crescimento silvestre. O grande problema é que a vida é um ciclo. Crianças que crescem "silvestremente", "desordenadamente", no meio de distúrbios sociais, provavelmente terão problemas psicológicos, e também provavelmente serão adultos problemáticos. Bom ai, há pais como eu e vc que tem discernimento para compreender estas questões e tem pais que não tem estas condições. No artigo anterior, vc colocou um artigo sobre o currículo. E nestes casos, qual a função da escola? E o que tem o currículo a ver com isso? Pode a escola pensar numa educação orquestrada x crescimento silvestre? Que contribuições?? Fica ai uma reflexão para todos.
    Abraços, Flávia Dias

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  2. Eu acredito que a escola, principalmente a escola de educação infantil tem responsabilidades sim no que se refere ao crescimento silvestre. A sua responsabilidade vem a partir do momento em que estas instituições ficam, muitas vezes, mais tempo com as crianças do que seus próprios familiares. Na maioria dos casos é fácil identificar crianças que são vítimas de uma educação relapsa, que crescem silvestremente. Cabe tbm a essas instituições programarem dentro do seu currículo, ações educativas que alertem os pais a respeito do cuidado com a educação dos seus filhos, visando oferecer-lhes uma educação orquestrada.
    Particularmente em casos mais graves como suspeita de abuso sexual, agressões físicas ou negligência dos pais, a escola deve sim intervir, procurando as autoridades como o conselho tutelar.

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